Sou uma personagem feminina, plena de emoções e sentimentos, de alegrias infindas e de tristezas indizíveis, do fundo do poço à altura dos condores. Como toda vida humana, em minha história se sucedem, alternadamente a comédia e o drama. Como assinalou o filósofo Chesterton, "o homem é um pêndulo, que oscila entre o sorriso e a lágrima". Eu vagueio entre o sorriso e a lágrima.
Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo: te amo como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores, e graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, te amo diretamente sem problemas nem orgulho: assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
senão assim deste modo em que não sou nem és tão perto que tua mão sobre meu peito é minha tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
Eu sonho com uma vida onde as pessoas sejam elas mesmas, reais e verdadeiras em todas as suas relações presentes e inteiras em todas as situações sem a angústia de serem, em segredo o oposto do que mostram ao mundo exterior
Eu sonho com um tempo de liberdade onde as diferenças sejam celebradas e não reprimidas e as paixões estimuladas em vez de negadas e proibidas, e todos vivam livremente as suas fantasias e possam realizar todos os seus desejos à luz do dia sem terem nunca mais de se refugiar na clandestinidade para viver do modo em que acreditam de verdade!